Como A Mídia Influencia O Resultado De Uma Eleição?

2 semanas ago
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Como A Mídia Influencia O Resultado De Uma Eleição?

A mídia teve uma grande influência na vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais dos Estados Unidos. A eleição presidencial dos Estados Unidos de 2016 deu início a uma nova era de cobertura da mídia e, talvez, influência, para possíveis candidatos à presidência. A mídia não apenas cobriu as coletivas de imprensa e discursos regulares, mas também postagens anteriores e presentes nas mídias sociais dos candidatos. Esse fenômeno da influência da mídia no processo político é conhecido e estudado desde o debate presidencial de 1960 entre Richard Nixon e John F. Kennedy.

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Alguns argumentam que essa era da mídia social dentro da política já havia começado anteriormente, com o presidente Barack Obama usando plataformas sociais para transmitir suas mensagens. Foi a eleição de 2016 que mudará para sempre a cobertura das eleições pela mídia. A mídia é definida nesse contexto como impressos (como jornais ou revistas), boletins de notícias de televisão e rádio, fotografias e até mesmo ‘novas’ mídias, como o Twitter e outras plataformas sociais. Este artigo irá explorar como a mídia pode influenciar um resultado eleitoral por meio de cobertura / não cobertura, preconceito e mídia social, além de explorar as implicações desses processos no processo político.

Cobertura / Não cobertura

A mídia decide o que cobrir em sua programação e que agenda ou pontos de discussão incluir – esse é um fato inegável. Um candidato à presidência como Bernie Sanders poderia facilmente argumentar que sua campanha eleitoral malsucedida se devia à falta de cobertura da mídia convencional. Em comparação com Hillary Clinton e Donald Trump no processo de se tornarem nomeados presidenciais para seus respectivos partidos, a cobertura da mídia de Bernie Sanders estava em falta. Essa afirmação foi um pouco confirmada em um estudo da Universidade de Harvard, no qual descobriram que os candidatos republicanos Donald Trump, Jeb Bush, Ted Cruz, Marco Rubio e Ben Carson receberam mais cobertura da mídia do que Sanders nos 2015 que antecederam a indicação. Além disso, Hillary Clinton (Sanders ‘ concorrência direta) recebeu três vezes mais cobertura do que Sanders no mesmo período. Embora a cobertura de Sanders tenha aumentado significativamente durante os debates, o tom dos relatórios sobre Sanders foi esmagadoramente negativo no final de 2015.

O próprio Sanders afirmou que os valores e princípios da mídia corporativa são direcionados ao lucro, em vez de ser um observador imparcial do processo político nos Estados Unidos. Por outro lado, Donald Trump e Hillary Clinton sempre foram vistos como os dois principais candidatos de seus respectivos partidos muito antes do anúncio dos candidatos, e sua cobertura era significativamente maior do que qualquer outro candidato de qualquer partido. Uma observação interessante é o fato de que qualquer cobertura da mídia convencional, boa ou ruim, pode influenciar um resultado eleitoral.

Viés de mídia

Pode ser difícil determinar e observar o viés de mídia por baixo da apresentação com script e da aparência brilhante de um programa de notícias. Os jornalistas podem parecer observadores imparciais, mas muitas vezes lhes dizem o que e quando reportar sobre um determinado tópico. Um exemplo de uma organização de notícias que tem sido rotineiramente acusada de preconceito é a Fox News. A mídia como um todo mudou para um modelo de análise e opinião, em vez de notícias diretas, que agora podem ser facilmente encontradas com uma pesquisa na Internet. Hipoteticamente, se o proprietário de uma organização de mídia tiver interesses financeiros em uma empresa ou negócio em particular, provavelmente não haverá cobertura negativa dessa empresa.

Em outro estudo da Universidade de Harvard, foi examinada a cobertura da mídia nos primeiros 100 dias do presidente Trump. A Fox News teve uma cobertura significativamente mais positiva que a negativa (52% de cobertura negativa em comparação com 80% de cobertura negativa de outras redes). Esse tipo de preconceito tem o poder de influenciar crenças políticas e, mais importante ainda, o poder de mudar a mente das pessoas quando elas entram na cabine de votação. Em outros estudos acadêmicos da mídia, verificou-se que os telespectadores da Fox News acreditam em mentiras diretas, como o fato de Saddam Hussein estar envolvido no 11 de setembro. Também se pode vincular o incrivelmente baixo índice de aprovação do presidente Trump à cobertura negativa constante da mídia de outras redes além da Fox.

Mídia social

Os candidatos às eleições agora têm o poder de controlar sua mensagem através das mídias sociais, ignorando os guardiões da imprensa tradicional. O uso de plataformas como o Twitter permite que um indivíduo mantenha seus pontos de discussão e agenda sem ser citado fora de contexto pela mídia. Antes de qualquer eleição moderna, o envolvimento e a mídia on-line tornaram-se cada vez mais importantes e influentes. Dê uma olhada em uma importante transmissão de notícias hoje e é quase uma garantia de que um post de mídia social (negativo ou positivo) fará parte da apresentação. O Pew Research Center conduziu um estudo de 2016 que mostrou que 62% dos adultos nos Estados Unidos recebem a maioria de suas notícias nas mídias sociais. Isso não é apenas preocupante devido à falta de diversidade no algoritmo de feed de notícias do Facebook, mas devido a esse algoritmo, o indivíduo geralmente recebe informações que estão alinhadas com suas crenças políticas atuais. Esse processo é conhecido como câmara de eco e servirá para reforçar pontos de vista, em vez de oferecer novas informações ou métodos ou idéias alternativas.

Implicações

As consequências da influência da mídia nas eleições futuras são muito sombrias e desconhecidas devido ao aumento e difusão das mídias sociais como ferramenta de comunicação e comunicação. Essas plataformas on-line permitem que os consumidores recebam notícias 24 horas por dia, o que levou a mais uma indústria de notícias baseada em opiniões e comentários. O fato de o candidato ao cargo poder se comunicar diretamente com sua base sem sair de casa e criar uma coletiva de imprensa teatral é uma mudança maciça das práticas e rotinas tradicionais da mídia.

A cobertura da mídia tradicional continua sendo uma ferramenta crítica para a informação, mas devido ao viés de cobertura / não cobertura e à mídia social, entre outros fatores, essas instituições podem ter um papel cada vez menos significativo nas próximas eleições.

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